Sedentarismo traz mais riscos à saúde do que a obesidade

Sedentarismo traz mais riscos à saúde do que a obesidade

Sedentarismo traz mais riscos à saúde do que a obesidade

Pode uma pessoa magra ter mais riscos de adoecer do quem uma pessoa gordinha? Pode, sim. Uma pesquisa realizada na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, acompanhou 334 mil pessoas durante 12 anos. Nesse período, os pesquisadores avaliaram quem fazia exercícios físicos, com que frequência e a taxa de gordura dos participantes. Eles também registraram quem morreu ao longo do estudo. Ao cruzarem os dados, os professores concluíram que os inativos, aqueles que não faziam qualquer atividade física, corriam mais risco de morte prematura do que aqueles que estava um pouco acima do peso.

É fato que a atividade física regular melhora a sensibilidade à insulina, ou seja, faz o corpo utilizar a glicose com mais qualidade. Aqueles que são considerados inativos, correm mais risco de elevar a glicose no sangue.

Para a endocrinologista Graciele Tombini, do Hospital Santa Casa de Porto Alegre, explica que quando os níveis de glicose são altos, mostram que há uma resistência do corpo em absorver esse nutriente e, então, o pâncreas produz muita insulina, colocando a pessoa no grupo de diabéticos.

O diabetes atinge, atualmente, cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 10 milhões estão no Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, 33% de quem tem entre 60 e 79 anos têm a doença.

– O excesso de insulina no sangue afeta vários órgãos, principalmente o coração. O diabetes não tem cura e não escolhe o tipo de corpo. Até pessoas magras podem sofrer com o problema – explica a médica.

A pesquisa choca porque, em geral, pessoas obesas correm mais risco de morte. Isso acontece também porque a maior parte das pessoas que estão acima do peso são sedentários. Por isso, Graciele lembra que, embora os inativos possam vir a ter mais problemas do que as pessoas acima do que quem está acima do peso, gordinhos também correm riscos de ficarem doentes.

Os pesquisadores de Cambridge acreditam que os exercícios físicos regulares podem salvar vidas. Atualmente, a taxa de mortalidade prematura na Europa é de 7,5%. Para eles, se as pessoas fossem mais ativas, 676 mil pessoas estariam protegidas de doenças que levam à morte prematura. Segundo o estudo, eliminar a obesidade, sem sugerir a atividade física, salvaria menos da metade desse número.

A endocrinologista Graciele explica que a gordura visceral, aquela que fica na barriga, também ocasiona a resistência do corpo à insulina, mesmo que a pessoa não seja considerada diabética.

– A atividade física é necessária para aumentar a produção de ácido nítrico, que reduz as chances de hipertensão e protege o coração.

Um dos cientistas responsável pela pesquisa alerta, porém, que não é o caso de escolher entre ser gordinho e ativo ou magro e inativo.

– Devemos nos esforçar para combater a obesidade e, ao mesmo tempo, reconhecer a atividade física como uma estratégia importante de saúde pública.

Fonte: ZH Clirbs

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